Aos 90 anos, médico mais idoso da zona norte dá lição de amor à medicina

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 No auge dos seus 90 anos de idade, Duarte Malva atua com a energia e determinação de um jovem médico no Programa Saúde da Família (PSF) da UBS Vila Terezinha, na Brasilândia. Com mais de 60 anos dedicados à profissão, ele atende cerca de 35 pacientes por dia e ainda é responsável pela grande demanda de homens que frequentam o grupo “Saúde do Homem”.

A formação de Malva começou em 1953, na escola Paulista de Medicina – Unifesp. Não foi um caminho fácil. Para seguir na profissão ele teve que se dividir entre os estudos e outras atividades que o ajudassem a enfrentar as dificuldades financeiras. Por isso, foi monitor de anatomia e dissecção de cadáveres e utilizava apostilas emprestadas de colegas. “No terceiro ano, um médico do hospital do Mandaqui estava reunindo estudantes e me chamou. Iria ganhar algum dinheiro e precisava. Mas eu não era o único. Todos nós, estudantes, tínhamos nossas dificuldades”, relembra o médico.

O hospital do Mandaqui estava se preparando para a inauguração quando a Santa Casa de Santos, que cuidava de doentes com tuberculose na época, desabou. Malva foi então contratado com urgência para recuperar o atendimento no litoral, ao lado de outros colegas de faculdade. Acabou trabalhando lá por 48 anos.

O médico mais idoso da ZN lembra ainda de um dos momentos mais marcantes de sua carreira: o primeiro atendimento. “No dia 1 de fevereiro de 1954 atendi meu primeiro paciente. Era um caso de amidalite. Lembro-me ainda da boa sensação de recém-formado, no palco do Cine Marrocos, onde recebi o diploma; em outra ocasião, com a ajuda de colegas e funcionários do Hospital Mandaqui, compramos alguns matérias e construímos móveis para a abertura de um consultório na Praça do Imirim”, afirma.

Para o médico, um dos maiores desafios na profissão é a atualização constante na medicina. Malva afirma ainda que sempre teve uma carreira mais voltada ao atendimento popular do que para um ambiente acadêmico. Não por acaso, diz adorar um bate papo com os pacientes, olhar nos olhos das pessoas.

Embora Malva já tenha conquistado um prêmio de reconhecimento da Academia Nacional de Medicina por sua participação nos primeiros transplantes de fígado, ele se considera mais ativo e útil atendendo a população, tendo acesso ao usuário, conversando com ele e tentando ajudá-lo da melhor maneira possível.

Que mais casos como esse sejam vistos em nosso país, incentivando até mesmo quem não tem condições de estudar mas têm o mais importante: amor à profissão. 🙂

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