ACRE Clube, do Sonho à Maturidade

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Foto: Divulgação

A história da vida sociocultural da zona norte e os 60 anos do ACRE Clube

Por Selma Horta

Foi a década conhecida como “anos dourados”, marcada pelo pós-guerra, marcada por uma juventude que clamava por progresso e construção de um novo tempo. Na Zona Norte de São Paulo não foi diferente e, parte dessa juventude empreendedora, como Rui Neri, Paulo Saldanha, Paulo Generoso, João Carlos Athayde Horta e outros, liderada pelo vanguardista Nelson Fernandes, se reunia para elaborar uma associação que congregasse a convivência das famílias locais em ambiente contemplado por Cultura, Recreação e Esportes. Assim criaram a sigla A.C.R.E. e nasceu, em 13 de junho de 1959, o ACRE Clube.

Movidos por um ideal e motivados pela transposição de desafios, venceram barreiras de críticas e descréditos, bateram de porta em porta, vendendo os primeiros títulos de propriedade e conseguiram, assim, financiar os lotes de terrenos adquiridos, dar início às obras e fundar a Associação, pedra fundamental para o desenvolvimento do bairro Jardim França, onde até então estavam erguidas apenas duas edificações: a Igreja de Santa Joana D’Arc e o primeiro galpão originário da hoje Escola Estadual Prof.ª Amenaíde Braga de Queiroz.

Nos vinte anos subsequentes a sociedade usufruiu do que de melhor se oferecia à época: bailes de gala, de debutantes, carnavalescos; shows dos mais concorridos e renomados artistas; modalidades esportivas das mais variadas, revelando atletas e campeões, no futsal, boliche e bocha; lazer e serviços que favoreciam a convivência familiar e social, promotora de tantas novas famílias que dali se formaram. Mais vinte anos de brilhantes eventos esportivos e culturais, como a tradicional “Olimpíada Familiar Acreana” (quem a viveu, jamais esquecerá) e chegaram as galopantes transformações da vida contemporânea, novas exigências político-econômicas, em prioridades para a sociedade brasileira, impondo aos clubes em geral, o declínio da vivenciada ascensão, adaptações e dribles para se manterem como tal.

Como não bastasse esse genérico panorama, a partir do ACRE Clube, seu entorno foi valorizado, crescendo em edificações de alto padrão e ganhando status de bairro residencial, o que limitou substancialmente sua condição de Clube, pois, por exigência de lei, teve inibido seu horário de funcionamento, a espontaneidade e a extroversão de torcidas em eventos esportivos. Inibida foi também a juventude frequentadora, de suas naturais manifestações em grupo, quando ao chegar ou sair dos bailes, o que acabou comprometendo a realização de shows ao vivo, com bandas e artistas renomados. O ACRE Clube, que depende da manutenção de seus associados, assim como num condomínio, e da renda levantada por eventos, passou a administrar mais problemas do que produções e a resolver apenas prioridades, uma vez que não teve recursos humanos e financeiros para grandes defesas ou reformas acústicas, capazes de blindar os barulhos emitidos: nem os de fora, nem os de seus usuários, a céu aberto no parque aquático ou quadras esportivas, ou mesmo no ginásio de esportes e praça esportivo-social, onde comporta o departamento de Tênis, canchas de Bocha e Espaço Gourmet/Churrasqueira.

O ACRE Clube perdeu, nessa transição, muitos associados. Perdeu poder de captação e atração, perdendo também o glamour. Mas, tem o vigor de sua história e permanece ACRE Clube. Comemora, em 13 de junho de 2019, sessenta anos, consciente de que os últimos tempos não têm sido tão “dourados” quanto à época de sua fundação. Assim como muitas agremiações, ele precisa se repaginar. Contudo, diferente de outras, emaranhadas por concessões públicas, o ACRE Clube tem seu patrimônio sede livre e desembaraçado. Conta com abnegados dirigente e colaboradores, além de alguns daqueles mesmos idealizadores do início, agora respeitosas cabeças brancas e ainda atuantes na vida da associação, bem como com outros usuários e associados, muitos nascidos e nele crescidos, que agora trazem seus pares e filhos, iniciando uma nova era para o Clube – a maturidade de seus 60 anos.

Aos 60 anos de sua fundação, o clube precisa se reinventar para seguir atendendo à comunidade que, atualmente, retoma o caminho da convivência e vem se mostrando, cada vez mais, voltada aos princípios de compartilhamento e bem comum. Assim sendo, o ACRE Clube, precisa de ajuda. Precisa do comprometimento de seus associados, no que diz respeito a direitos e deveres, segundo o Estatuto Social da agremiação. Precisa de compreensão da vizinhança para com o significado de “Associação Cultural, Recreativa e Esportiva”, sua fundação e instalação em sedes próprias, desde 13 de junho de 1959. Precisa da participação e divulgação de seus associados, usuários e simpatizantes, nas atividades realizadas em favor de seus compromissos e obrigações. Enfim, precisa de maior adesão no número de associados, sejam novos ou antigos, com desejo de revitalização de titularidade.

O ACRE Clube quer ressurgir como espaço seguro, de agradável e amigável convivência Social em Lazer, Cultura e Práticas Esportivas. Quer também poder continuar atendendo à comunidade em geral, como ponto de encontro e acolhimento para eventos referência, na região. O ACRE Clube quer poder comemorar seus 60 anos, com esperança de seguir na memória feliz das próximas gerações.

O clube tem sede no Jardim França, à Rua Gaurama e Água Comprida, nº 257, e encontra-se sob a gestão 2017/2020, tendo à frente da Diretoria Executiva, o Presidente, Sr. Attilio Zeri Neto e, do Conselho Deliberativo, o Presidente, Sr. Claudio Helou Doca.

Para informações sobre como se associar, entre em contato pelo telefone: (11) 2203.8788 ou e-mail: secretaria@acreclube.com.br.

Selma Horta – Conselheira eleita e secretária do Conselho Deliberativo do ACRE Clube, pelo triênio 2017-2020.

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