Teatro Alfredo Mesquita recebe o espetáculo “Mato Cheio”

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Foto: Divulgação

O Teatro Alfredo Mesquita recebe o espetáculo “Mato Cheio”, com estreia no dia 2 de novembro. O espetáculo que tem direção de Ivy Souza e dramaturgia de Jhonny Salaberg, estará com temporada de 2 a 17 de novembro, sempre aos sábados, às 21h e domingos, às 19h.

Com Anderson Sales e Isamara Castilho no elenco, o espetáculo é livremente inspirado pelo mito popular dos escravizados que fugiam pelas linhas férreas em direção ao mar, passando pela Casa da Ressaca – quilombo de passagem do começo do século XIX – até chegar aos quilombos da cidade de Santos, no litoral sul de São Paulo.

Mato” (de mata) refere-se a um terreno inculto onde crescem plantas agrestes. Averiguando o sentido histórico da palavra, podemos perceber que mata vem da ação de matar, tirar a vida de alguém ou algo, exterminar a existência do outro, de um ser vivo; ação de sair para os grandes campos para caçar e/ou lutar. Como por exemplo, os famosos capitães do mato que perseguiam os escravizados que fugiam das senzalas no Brasil. Já a palavra “cheio” contém tudo aquilo que é capaz, completo, repleto; algo em grande quantidade ou carregado.

Se juntarmos as duas palavras teremos uma frase com duplo significado. No nosso contexto, o mato está cheio de pessoas escravizadas e fugitivas que lutam pela sobrevivência. A fuga de pessoas que foram tiradas de suas terras para servir de mão de obra em países desconhecidos, cuja construção se deu em cima de um pensamento escravocrata e segregador pelo desenvolvimento do capitalismo; e como se deu no Brasil, o comércio do açúcar e do ouro no Nordeste e Sudeste. Uma narrativa localizada na região do Jabaquara, caminho para o mar na cidade de Santos.

A região contém a lendária casa do sítio da ressaca, construção bandeirista de 1719 que serviu como quilombo de passagem aos escravizados que fugiam pelas linhas férreas em direção aos quilombos do litoral, e posteriormente o mar. Foi em cima desses mitos que foi construída a dramaturgia do espetáculo, que discute as rotas, trânsitos e fuga na contemporaneidade, interseccionando a relação do corpo negro através das histórias dos atores criadores e as narrativas dos moradores sobre o mito de fuga dos escravizados no começo do século XVIII.

Serviço:
Mato Cheio
Data: de 02 a 17/11
Horário: Sábados, às 21h e domingos, às 19h.
Ingressos: R$ 30,00 (inteira)
Indicação etária: 12 anos
Duração: 90 minutos
Teatro Alfredo Mesquita
Av. Santos Dumont, 1.770 – Santana
Telefone: (11) 2221-3657

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