CULTURA E LAZER

Antônima Cia. de Dança estreia espetáculo gratuito “Desvio para o Azul” no CCJ

Fotos: Divulgação/Antônima Cia de Dança  –   

Com direção de Adriana Nunes, criação coletiva propõe uma reflexão sobre o tempo e as diferentes formas de senti-lo

O Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), localizado na Avenida Dep. Emílio Carlos, 3641, Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo, recebe nos dias 18 e 19 de junho, às 19h30, o espetáculo de dança gratuito “Desvio para o Azul”.

Com 12 anos de pesquisa em dança e artes do corpo, a Antônima Cia. de Dança investiga a noção de tempo a partir de diferentes percepções e conhecimentos em seu novo trabalho.

Com direção de Adriana Nunes, que também está no elenco com Camila Miranda, Isadora Prata e Naíra Gascon, a obra é sobre o tempo, um olhar para as diferentes formas de senti-lo e uma tentativa de subvertê-lo. Para lidar com uma questão tão complexa, a companhia investiga esse conceito a partir de várias áreas do conhecimento, como a física, a geografia, a literatura e a filosofia.

O próprio nome do trabalho é uma referência a um conceito da física que explica como uma duração é percebida de acordo com a distância e como o tempo está diretamente ligado ao conceito de energia/movimento, e intrinsecamente ligado à ideia de espaço.

Outra metodologia importante usada pelo grupo nesse processo é o aprofundamento da escuta. As artistas apostaram em experiências de trocas e partilhas com outros artistas, pequenas entrevistas sobre como anda a relação das pessoas com seu tempo e deambulações pela cidade de São Paulo.

Um dos pontos de partida para esse processo foi o livro “Walkscapes – O Caminhar como Prática Estética” (2002), do autor italiano Francesco Careri, que inspirou a companhia a realizar longas caminhadas por São Paulo. A partir dessas derivas pela cidade, as criadoras começaram a se questionar sobre como se colocar numa relação com o tempo diferente da que se tem cotidianamente, como diminuir simbolicamente as distâncias entre as periferias e o centro da cidade; e como estabelecer vínculos entre seus corpos e os espaços percorridos.

A partir de todas essas pesquisas, a companhia passou a refletir: “O tempo é relativo, é curto, é metafórico, é histórico, está em falta, está sobrando, é inevitável, é acontecimento, é memória, é projeção e pode ser sintoma de desigualdade. Como é a relação com o tempo de um morador da periferia, que gasta muitas horas em deslocamentos, em comparação a um morador do centro, que mora perto do trabalho?”.

Assim, na dança, antes de propor todas essas reflexões, as intérpretes começam convidando o espectador a se colocar num outro tempo, longe da pressa e da efemeridade, para então mergulhar no universo da memória, nas projeções para o futuro e nas reflexões sobre como estamos vivendo o tempo do presente.

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