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Mobiliaram uma praça na Avenida Mazzei

Por: Georgia Campanelli

Uma pracinha bem “inha”, mesmo, nessa avenida movimentada aqui da cidade de São Paulo. Só tem uma árvore, uns dois bancos longos e uma mesa com banquinhos de concreto. Aliás, era isso que tinha. Agora tem um sofá. E uma cama box. Tem também uns dois criados-mudos e uma toalha de renda sobre a mesa de concreto. Imagino que em breve vão levantar as paredes. Ou será que, na verdade, havia paredes, mas elas sumiram e tudo o que estava dentro da casa ficou exposto, sujeito à ação do tempo? As pessoas estavam lá, tranquilas, deitadas na cama, e de repente… puff. Sumiram as paredes. O vento espalhou pó sobre os móveis e deixou encardida a toalha da mesa. A água da chuva penetrou na madeira dos criados-mudos, fazendo-os descascar e soltar lascas, e a cama, deixou-a encharcada e repleta de manchas de mofo. A cama tem cobertas que ficam sempre muito arrumadas. Tem até um tapetinho aos seus pés, onde se lê “Clínica Veterinária” com um par de chinelos sobre ele.  Tem outros detalhes que, passando por lá tão rapidamente como preciso fazer, não dá para identificar, mas intui-se serem itens de decoração. Tanto capricho desperdiçado…

E os moradores viraram atração. Quando as paredes somem, não há intimidade que se guarde, não é mesmo? Quem passa pela avenida dança os olhos por sobre aquele cenário. Acham tudo absurdo. Mas o que fazer, se sumiram as paredes? Com elas, sumiram também a vergonha e a educação. Foi-se também a higiene da pracinha. Lixo espalhado em volta dos moveis. Muitos papeis, cobertores velhos, sacolas… uma ilha de restos. Difícil dizer o que se manteve. Talvez a estrutura que foi embora, não sei se para sempre, tenha sido outra.

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