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Pirituba, Jaraguá e São Domingos: uma periferia que é pouco vista ou lembrada. Mas vulnerável, como todas

Embora pouco noticiada, região tem um dos mais altos índices de miséria da Capital; é recordista em casos de feminicídios e concentra uma das maiores taxas de homicídios entre jovens, gravidez na adolescência e mortalidade infantil; ONG tenta reverter estatísticas por meio da educação e assistência

Inserida em uma área periférica que concentra mais de 460 mil habitantes – em grande parte, jovens (39% a 46%) pretos e pardos (31% a 47%) – e que apresenta índices de violência e exclusão semelhantes a bairros como Jardim Ângela, Cidade Tiradentes e Brasilândia, uma ONG luta diariamente para reverter as desigualdades e encurtar os caminhos que separam a população pobre das oportunidades de formação, emprego, renda e dignidade.

O trabalho ocorre em uma região pouco comentada nos noticiários: Pirituba, Jaraguá e São Domingos, na zona noroeste da Capital. Mas os déficits sociais em quase nada diferem aos de conhecidos ‘bolsões de pobreza’ presentes no Grajaú, Jardim São Luís, Aricanduva, Sapopemba, entre outros locais que costumam ser destacados com maior frequência.

No caso do Jaraguá, por exemplo, há índices até piores. A renda média familiar é de R$ 2.900,00, a sétima menor entre os 91 distritos de São Paulo. O mesmo bairro também um dos campeões em homicídios entre jovens (30,1); gravidez da adolescência (12,1) e baixa oferta de emprego (0,8).

Em situação parecida, São Domingos é um dos bairros que mais concentra homicídios entre jovens (31,8), além de favelas (12,3). Pirituba, por sua vez, apresenta a maior taxa de feminicídios de toda capital (2,3) e uma das maiores taxas de mortalidade infantil (13,1).

Os dados mencionados são todos oficiais e constam no estudo Mapa das Desigualdades, divulgado anualmente.

De casa em casa
Diante dessas estatísticas, uma equipe de 72 profissionais da ONG Projetos Amigos das Crianças (PAC) tem por desafio transformar as vidas de 5.500 pessoas (entre crianças, jovens, adultos e idosos) que protagonizam o pior deste cenário, vivendo em situação considerada de ‘extrema vulnerabilidade social’.

Uma das ações se dá a partir da visita periódica a 1.200 os lares, onde há famílias que dependem de auxílios assistenciais para sobreviver. Quase todos os endereços ficam em comunidades, áreas de invasão e até mesmo locais que são alvo de disputa fundiária.

O trabalho domiciliar é feito por meio do Serviço de Assistência Social à Família (SASF) e fica a cargo de uma equipe de educadores sociais. O objetivo inicial é criar vínculos com essas pessoas, para posteriormente avaliar como e onde podem auxiliá-los, seja por meio das diversas iniciativas promovidas pela ONG, seja por meio de por meio da rede de assistência social.


Diretora do PAC, Rosana Chene

“A equipe tem um papel integrador. Ela chega aos lugares onde o poder público não chega e torna visíveis as pessoas que dele necessitam”, resume Rosane Chene, diretora da ONG Projetos Amigos das Crianças. Além do SASF, a entidade também é responsável por duas casas de acolhimento a menores e ainda mantém um centro de atividades para crianças e adolescente, todos na mesma região.

Os maiores desafios, segundo ela, quase sempre estão associados à educação/formação e à empregabilidade. “A falta de oportunidades se origina daí em quase 100% dos casos. E é justamente a partir daí que a gente trabalha: apostando em formação com vistas ao emprego e à autonomia de vida”.


Educadora do PAC

Reforço e coworking
No caso das famílias atendidas pelo SASF, uma das apostas da ONG Projetos Amigos das Crianças é trabalhar no reforço escolar aos que estão em fase de aprendizado. A entidade tem disponibilizado a sua própria estrutura para atender 400 crianças/mês, de forma presencial. Aos jovens que buscam oportunidades no mercado de trabalho, a ONG tem oferecido mentoria de carreira profissional com a ajuda de voluntários.

Até mesmo quem trabalha em sistema de homeoffice tem obtido auxílio. “Com a pandemia, muita gente passou a trabalhar em casa, só que não tinha a menor estrutura. Por isso contratamos um serviço próprio de internet, via rádio e estamos cedendo nosso espaço e nossos equipamentos para coworking”, conta Rosane Chene.

Visitas e entrevistas
Caso haja interesse em aprofundar os temas tratados ou mesmo em conhecer de perto o trabalho da ONG Projetos Amigos das Crianças, a diretora da entidade está disponível para entrevistas e para o agendamento de visitas às unidades.

Sobre o PAC – Projeto Amigos das Crianças
Fundada há 18 anos, o PAC – Projeto Amigos das Crianças é uma Organização Social sem fins lucrativos certificada pelo CEBAS – Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social – que atende a população em situação de vulnerabilidade e/ou risco social nos distritos de Pirituba, São Domingos e Jaraguá (SP).


Fachada do PAC

Por meio de 4 serviços, dois de proteção especial de alta complexidade (com atendimento a 30 crianças e adolescentes de 0 a 18 anos) e dois de serviço de assistência social básica (assistindo mais de 1200 famílias e seus membros), a missão da organização é promover transformação social e gerar oportunidades nas regiões onde atua, com a oferta de ações socioeducativas, culturais e profissionais.

Atualmente, o PAC conta com mais de 70 funcionários, cerca de 3.500 voluntários, 139 mantenedores via doação e sete empresas parceiras que subsidiam as oficinas promovidas pela organização, como Zendesk, Mutant, TOTVS, Serra do Mar, Aktie Now, Elo, Sow e Netas.

Para mais informações sobre o PAC, acesse: http://www.projetopac.org.br/

 

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