EDUCAÇÃO

Pela volta das aulas presenciais nas escolas

Hoje trago para o leitor um tema atual e extremamente polêmico: o retorno dos alunos às aulas presenciais nas escolas. Já adianto que não tenho posição radical sobre o assunto e que gostaria de compartilhar algumas reflexões que justificam o título do presente texto.

Está próximo de completar um ano o afastamento dos alunos das aulas presenciais. Houve um pequeno período de retomada no final do ano passado, que acabou sendo irrelevante devido à proximidade das férias. Quando escrevo esse artigo (começo de fevereiro) boa parte das escolas particulares estão retomando esse modelo presencial e oferecendo aos alunos que fazem parte de grupos de risco ou que não se sentem seguros ou confortáveis no retorno, a possibilidade do ensino à distância, formando dessa maneira o assim chamado ensino híbrido. Também está programada a volta das escolas estaduais para o dia 18 de fevereiro. Não trabalho na rede estadual, mas os relatos que chegaram até mim, foi que praticamente inexistiu o ensino a distância nesse período. Enquanto as escolas particulares de um modo ou de outro conseguiram implementar algum tipo de EAD, os alunos de escolas públicas estão quase que privados do ensino, já precário que tem, há quase um ano.

As consequências desse afastamento da escola só serão conhecidas em maior profundidade dentro de algum tempo. É bastante evidente que um primeiro efeito foi aumentar ainda mais a desigualdade entre a rede particular e pública. Porém, o dano que deve trazer maiores consequências à longo prazo, além da falta de conteúdo e do estímulo à evasão escolar é o dano à saúde mental das crianças e adolescentes. Tenho recebido vários relatos de pais que tiveram que levar seus filhos a psiquiatras e psicólogos e que nesse período desenvolveram transtornos de pânico e ansiedade, principalmente pela supressão da atividade escolar e de seu entorno. Somos seres humanos. É parte essencial da nossa natureza socializar. Esse dano a saúde mental pode comprometer toda uma geração, trazendo consequências gravíssimas.

Percebo que muitas pessoas, quando tem que fazer uma escolha, tratam uma opção como se fosse 100% boa e a outra como 100% ruim. Infelizmente não é só a política que está polarizada nos dias de hoje. A escolha que temos que fazer com relação a essa questão não é de forma alguma desse tipo. Ambas as possibilidades (mandar os filhos para a escola ou não) implicam ganhos e perdas e cada um só pode tomar uma decisão sobre a ótica de sua própria balança. Se as escolas executarem os protocolos de distanciamento e uso de máscaras, entre outras medidas profiláticas que tenho certeza, serão tomadas pela maioria pelo menos, isso tornará o colégio um dos lugares mais seguros para se frequentar. Acredito que o risco pequeno de uma contaminação nessas condições supere o risco de causar danos mentais e emocionais para a criança e adolescente. Dessa maneira, na minha balança, vale a pena mandar as crianças de volta ao presencial – e foi isso que fiz com meus dois filhos de 14 e 12 anos.

Como escrevi no primeiro parágrafo, essa é a minha opinião nesse momento. Ela pode mudar nos próximos meses de acordo com o desenrolar dos acontecimentos. Respeito e lamento todas as vítimas e familiares de vítimas dessa terrível pandemia. Tenho muita esperança de que o processo de vacinação corra bem e contribua, se não para sua erradicação, pelo menos para um controle e tratamento melhor. Mas, se não cuidarmos direito da educação, corremos o risco de matar essa geração de crianças e adolescentes. Sei que essa expressão pode parecer um pouco forte, mas é uma metáfora bastante apropriada para expressar os danos de aprendizagem, mentais e emocionais que acontecerão se não retomarmos de forma progressiva as atividades presenciais nas escolas em geral.

 

 

Prof. Jordy
Educador, Tutor e
Mentor de Estudos
jordy@didatike.com.br
Instagram: @didatike

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